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Autor Tópico: Saul, Samuel, a Pitonisa e sua relação com o Espiritismo  (Lida 31772 vezes)
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Paulo Sérgio de Araujo
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« Responder #735 em: Outubro 19, 2006, 03:28:02 »

Ah, Maurício CP, ia me esquecendo de lhe dizer umas coisas...

Meu chapa, não adianta você fazer uso desta sua linguagem intimidatória, pensando que eu tenho medo de debater algum assunto com você ou com quem quer que seja. Eu não tenho um pingo de medo de debater com você, MCP!!! Se tivesse, eu não estaria cobrando suas respostas a tudo aquilo que eu postei aqui no dia 17/09, que se encontra na pg. 35!

Não vejo a hora de ler suas considerações! Ah, não se esqueça que eu tenho um estudo acerca de Deuteronômio 18.11 bem guardadinho aqui comigo, todinho formatado, prontinho. É artilharia pesada, pode crer! Porém, estou esperando, sentado, as suas considerações a tudo aquilo que eu postei aqui, e só então eu postarei este estudo-bomba.
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Azenilto Brito
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« Responder #736 em: Outubro 19, 2006, 04:24:35 »


       Pois é, amigos, a "inquietude de Samuel" é apenas "jogo de cena". Faz parte do "teatro" todo que o anjo caído, encarregado por Satanás de aparecer como Samuel, cumpriu.
       Então, a conclusão óbvia é de que não foi Deus quem mandou Samuel cumprir aquela missão, pois um servo de Deus não iria sentir-se "incomodado" por atender as ordens divinas. Quem mandou "Samuel" foi o capeta mesmo. . .
       Como NÃO EXISTE POSSIBILIDADE ALGUMA de comunicação entre vivos e mortos, porque quem morre não sente, não fala, não vê, não ouve, não faz coisíssima nenhuma (está dormindo o sono inconsciente da morte) o teatro todo realmente iludiu Saul e a feiticeira naquela ocasião.
       E o pior é que continua iludindo pessoas sinceras e bem-intencionadas, mas inteiramente equivocadas em seu entendimento das Escrituras, nos dias de hoje.
       O diabo e seus anjos realmente dariam ótimos atores para as novelas da Globo. Aliás, eles não atuam diretamente, mas mandam seus "representantes". . .

Abraços


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« Responder #737 em: Outubro 20, 2006, 01:38:50 »


RESPONDENDO A UM ESPÍRITA "PROFISSIONAL"

       Amigos, sinceramente, temos que repensar bem a questão da “metodologia” neste debate. Afinal, se um professor dá uma tarefa de casa para um aluno, logicamente espera que esse aluno faça a tarefa, e não que encarregue um amigo, especialmente um “profissional” de certa área, a responder por ele.
       O Maurício, alegando falta de tempo, recorreu aos préstimos de um “profissional” do espiritismo, um indivíduo com um cabedal enorme de artigos sobre temas espíritas e supostamente de respaldo bíblico, especializando-se em contestar os crentes na Bíblia como “Palavra de Deus”.
       Eu simplesmente não tenho tempo de ficar enfrentando todo tipo de objetores que alguém resolva “convidar” a responder a nossos questionários, então vamos fazer isso PELA ÚLTIMA VEZ. Não mais aceitaremos matérias de outros, pelo menos não nesse estilo de respostas a questionários dirigidos a participantes do Fórum.
       Quanto ao material desse cavalheiro, é interessante que ele começa falando coisas que se aplicam EXATAMENTE a ele, como ao falar de uso da Bíblia coerente, criticar-nos pela insistência de “teor global das Escrituras”, e o que mais faz é selecionar textos “favoráveis” daqui e dacolá, desprezando os que não lhe convêm (e me atribui exatamente essa prática), e quando as coisas não correspondem a sua visão espírita  preconcebida chama os autores bíblicos até  de MENTIROSOS! Vejam uma sentença dele referente a certo relatório bíblico—“que mentira, que lorota boa”. . .Ora, pois o próprio grande apóstolo Paulo quase ganha dele tal rótulo, apenas amenizado ao dizer que estava “completamente equivocado”!
       Quando o que o texto bíblico diz contraria diretamente suas premissas, então não serve, a Bíblia é interpretada literalmente por “fanáticos” e, enfim, ele é o único que tem a correta e precisa interpretação, claro que dentro da visão espírita.
       Ademais, ele cita quase sempre versões católicas da Bíblia, o que parece muito suspeito, sobretudo porque sabemos que o catolicismo não passa de um “espiritismo melhorado”. Eu tive parentes espíritas e me contavam de padres e freiras que participavam de reuniões espíritas fazendo palestras em que contavam de suas próprias experiências como “paranormais”. E até vi anúncio de um vídeo de uma autoridade católica, se não me engano um bispo, sobre suas comunicações mediúnicas e outras coisas do gênero. E é bem sabido que os católicos que crêem nas teses espíritas de reencarnação, e até freqüentam sessões espíritas durante a semana, indo, porém, regularmente às missas, são "legião". Interessante que a ICAR se empenha numa grande campanha antiprotestante, mas não se vê o mesmo empenho contra o espiritismo da parte da liderança católica. . .
       Assim, versões católicas da Bíblia têm essa inclinação, porque a crença na imortalidade da alma, tão pagã quanto tantas outras práticas do catolicismo, é um dos fundamentos da doutrina dessa Igreja. Só que, numa ocasião, ele até  cita a Versão Novo Mundo (das “testemunhas de Jeová”) apenas num pequeno trecho que lhe pareceu conveniente, talvez ignorando que esses religiosos condenam totalmente o espiritismo e sua crença básica na imortalidade da alma.
       Como dissemos num artigo sobre o espiritismo, 

       Já se disse que um texto fora do contexto é mero pretexto. Se o estudioso do assunto examinar os ensinos de Cristo globalmente, em lugar de apanhar segmentos isolados que aparentemente lhe favoreçam a idéia, não encontrará harmonia de Seus ensinos com o que pregaram os mestres do passado a respeito da morte. Cristo fala em ressurreição, não reencarnação. A própria idéia de “novo nascimento” [em João 3] é tornada clara no verso 5 ao Jesus falar em “nascer da água”. Tendo por base um costume já existente entre os judeus de uma lavagem purificadora para indicar renovação espiritual, fica claro pelo contexto literário e histórico que a referência é ao batismo, simbolizando a morte para a vida pecaminosa, e um renascer para nova vida segundo o Espírito de Deus. O apóstolo Paulo tornou isto bem claro em Romanos, capítulo 6.
       A evidência de que ressurreição não é o mesmo que reencarnação se acha nos relatos dos Evangelhos ao descreverem como Jesus miraculosamente trouxe de volta à vida pessoas que haviam exalado o último suspiro. Há o episódio da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim, e, de modo destacado, a volta à vida de seu amigo Lázaro, que já estava sepultado há quatro dias e até “cheirava mal”, todos sobrenaturalmente trazidos de volta à vida por Jesus, com seus mesmos corpos (ver Lucas 8: 41-56; 7: 11-16; João, cap. 11). Portanto, por uma questão de coerência, uma vez que se recorra à Bíblia como documento comprobatório de uma tese, todo o seu contexto deve ser levado em conta para validar ou negar a idéia.
       Jesus citava repetidamente o Antigo Testamento, que era a Escritura vigente em Seu tempo. Reconhecia sua autoridade como livro histórico e como um manual de instrução da vida prática, e fonte de doutrina religiosa. No Antigo Testamento fala-se sobre a ressurreição, não reencarnação, havendo uma detalhada descrição da ressurreição em Ezequiel 37. É por demais claro que a idéia da imortalidade da alma não encontra apoio ali (ver Ecles. 9:5, 10; Sal. 146:3, 4). Igualmente, a prática comum do espiritismo de consultar os mortos, muito difundida entre os povos antigos que circundavam Israel, é claramente condenada nas Escrituras (ver Êxodo 22:18 e Deuteronômio 18:11-14).
       O profeta Isaías, muitos séculos depois que as leis de Moisés foram proclamadas, exorta o povo de Israel a não contaminar-se com ritos religiosos dos povos pagãos que os rodeavam: “Se disserem: Consultai os encantadores e os adivinhos, que sussurram falando, responde: Não consultará o povo ao seu Deus? Consultará os mortos pelos vivos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem conforme a esta palavra, é porque não têm iluminação”. (Isaías 8:19, 20).


       Mas antes de entrarmos nos méritos das 10 perguntas que foram dirigidas inicialmente ao Maurício, segundo as tentativas de resposta por esse promotor “profissional” do espiritismo, vejamos alguns absurdos e contradições de seu arrazoado:

       * Diz ele que se não fosse pela possibilidade de comunicação dos mortos com os vivos “não existiriam os profetas, que nada mais são do que os canais de comunicação através dos quais os mensageiros divinos transmitem as suas mensagens à dimensão física”.
       De onde ele tirou idéia tão estapafúrdia?! Isso é puramente teoria EXTRABÍBLICA, e se temos que analisar as coisas biblicamente, segundo a COERÊNCIA do ensino bíblico (e creio que os nossos amigos se dispõem é exatamente a tentar provar essa coerência do ensino bíblico quanto à condição dos mortos e possibilidade de comunicação entre mortos e vivos, já que não recorreriam aceitavelmente a fontes extrabíblicas, como Allan Kardec, por exemplo), então essa afirmação é inteiramente contrária às Escrituras e não passa de uma INTERPRETAÇÃO PARTICULAR do espiritismo. Aliás, essa alegação dele não é acompanhada de nenhuma passagem bíblica que a respalde.

       * Ele vem explorar o episódio do monte da transfiguração, quando o que temos ali é um aparecimento de dois seres EM FORMA CORPÓREA, pois Elias foi assunto ao céu (e já tivemos boas discussões a respeito) e Moisés claramente ressuscitou, como também podemos demonstrar e temos demonstrado em artigos específicos. Vejam no seguinte endereço:


       * Também tenta explorar a parábola do rico e Lázaro, que sendo uma parábola simplesmente não serve como base de doutrinas. Talvez ele desconheça o princípio de que não se baseiam doutrinas sobre parábolas, textos simbólicos ou pouco claros e isolados. Isso também já foi amplamente discutido por nós nos seguintes endereços:




[Continua no próximo quadro]
« Última modificação: Outubro 20, 2006, 01:51:44 por Azenilto Brito » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #738 em: Outubro 20, 2006, 01:40:38 »


       *  Um exemplo claro de como toma textos que lhe favoreçam as idéias espíritas de um determinado livro ou autor bíblico, não só forçando o sentido para enquadrar-se ao seu molde espírita, como desconsiderando outras passagens do mesmo livro ou autor, se dá quando cita Jó 8:8-10. Bildade, o amigo de Jó, fala em consultar as antigas gerações, e o que diziam os antepassados. Ele logo salta à conclusão espírita de que isso se daria por prática de mediunidade, quando o contexto todo torna claro que o amigo de Jó está falando de pensamento tradicional, do que diriam os antepassados naquelas circunstâncias, enfim, a “tradição dos anciãos”, para usar um termo neotestamentário. Nosso amigo espírita mesmo lembra que naquele tempo os registros escritos seriam muito raros e também poucos sabiam ler. Pois é, a referência é ao que pensavam os antepassados cujo pensamento e idéias eram mantidas como sua “tradição” tribal. Deviam considerar os “ditos” dos antigos, apenas isso.
       Agora, o próprio Jó dá é um golpe de morte sobre essa doutrina de origem pagã da imortalidade da alma em vários textos, como em 14:7-14, onde compara o homem na morte com um rio que seca, e um lago que se esgota. E em 19:25-27 onde fala de sua expectativa de encontrar o Redentor “que se levantará sobre a Terra”, e daí O veria, não quando ele morresse e seu espírito fosse libertado da “prisão” do corpo, e sim quando se desse a Ressurreição, pois é então que o Redentor Se levantará sobre a Terra.
       E que tal esta passagem de Jó que nosso amigo certamente descartará como, talvez, uma “mentira” ou sei lá o quê?:

       Ã¢â‚¬Å“Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais. Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais”. Jó 7:7-10.

       O dizer do patriarca que o morto não mais volta a sua casa por si só exclui a noção de retorno dos mortos para comunicar-se com os vivos, e o fato de declarar que não mais tornará a subir da sepultura deve-se entender dentro do sentido hebraico do “para sempre” (olam), como Jonas expressou ao estar no ventre do peixe. Para ele “para sempre” estaria excluído do mundo dos vivente, mas isso só durou três dias e três noites (Jonas 2:6). Todos ressuscitarão, como Jesus mesmo ensinou: os que fizeram o bem, na ressurreição da vida; os que fizeram o mal, na ressurreição da condenação – João 5:28, 29.
       E vejam o que ele me apresenta como argumento:

       Ã¢â‚¬Å“Certa feita o pastor Neemias Marien, quem mais conhece de Bíblia, aqui nas terras do pau-brasil, numa entrevista no programa Espiritismo Via Satélite, respondendo à pergunta 'se na Bíblia havia passagens que comprovam a comunicação com os mortos', ele cita Jesus ordenando a Lázaro que saísse do sepulcro".

       Primeiro, esse pastor é considerado um apóstata pelos evangélicos, e talvez nosso amigo espírita não saiba que ele foi até  excluído de sua denominação por idéias extravagantes e antibíblicas que apresenta e que não condizem com o pensamento consagrado pelos cristãos evangélicos. E seus conhecimentos bíblicos não provam nada de que saiba interpretar as Escrituras, pois uma de suas teses é a de defesa da homossexualidade como perfeitamente aceitável do ponto de vista cristão. Isso é bíblico?!
       Ademais, vemos o absurdo de alegar que o espírito de Lázaro estava preso a seu cadáver para ouvir o chamado de Cristo. Mas onde está a prova de que as “almas” ficam presas a seus corpos? É esse o triste destino dos que morrem? Ficam amarrados pelo menos 4 dias a seus corpos, pois se o episódio da ressurreição de Lázaro prova que sua alma estava lá para ouvir a voz de Cristo, por que não deixou esse corpo, sendo que uma das idéias mais tradicionais, clássicas e “lógicas” dos crentes na imortalidade da alma, inclusive espíritas, é exatamente a “partida” da alma, ou espírito? No entanto, Lázaro morreu e sua alma não partiu para lugar nenhum! Ficou amarrada ao corpo, até  cheirar mal. . .
       Espero que as almas não tenham o sentido do ofalto. Já pensou, gente, se ficam nessas condições por algumas semanas ou meses?
       Sobre Jesus ser o “divisor de águas”, há uma série de equívocos e pontos que precisam ser melhor definidos.
       Primeiro, nosso amigo incorre no erro clássico que sempre encontramos por aí, de que Jesus foi um promotor de idéias “revolucionárias”, totalmente contrárias ao pensamento vigente. Pois é EXATAMENTE O CONTRÁRIO. Ele disse que não veio abolir a lei, e recomendou o seu fiel cumprimento, inclusive, sim senhor, de seus aspectos cerimoniais, como levar a oferta ao altar (ver Mat. 5:23, 24).
       E quando Ele proclama a famosa “lei áurea”, não estava fazendo NADA diferente do que já constava do Velho Testamento. Ao falar em “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a nós mesmos” Ele nada mais fazia do que CITAR MOISÉS! Pois é, basta comparar Mat. 22:36-40 com Deuteronômio. 6:5 e Levítico 19:18.
       E há até um episódio interessante em que um escriba O desafia--certamente querendo apanhá-Lo contradizendo as tradições de Israel para ter motivo de O acusar--qual era o grande mandamento da lei. Cristo lhe responde com a “lei áurea” novamente. E qual foi a reação do indagador? Terminou elogiando-O por sua sábia resposta, em vez de sair dizendo que ali estava um “revolucionário”, com idéias antijudaicas! Por quê? Ora, como eu disse, Cristo não contradizia EM NADA o que o escriba sabia ser os fundamentos da religião de Israel—amor a Deus e amor ao próximo (ver Mar. 12:28-34).
       E quando Cristo faz Suas famosas declarações do “ouviste o que disseram os antigos/Eu, porém, vos digo” Ele está mostrando a Seus ouvintes que a lei que conheciam tinha aspectos mais profundos e éticos do que imaginavam, já que  eram mal orientados pela liderança religosa da época. Pois olhar para uma mulher com lascívia JÁ ERA condenado, como lemos em Jó 31:1. E odiar um irmão, idem (Lev. 19:17). Não se trata de regras que instituía e deviam passar a valer dali em diante. . .
       Portanto, reitero—Cristo não está apresentando nenhuma “novidade cristã”, apenas ressaltando aspectos do que já conheciam, mas dando um caráter mais profundo, como fica claro ao Ele declarar: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mat. 5:20).
       Aliás, neste ponto nosso amigo espírita até contraria um artigo seu a que eu me referi, sobre a carne de porco. Pois ele mesmo mostra que é um erro considerar a lei divina que a proíbe como abolida, pois nem estava nas tábuas de pedra, que ele reconhece constituir uma “lei especial”, já que foi colocada dentro da arca, enquanto as demais leis (“humanas”, segundo ele) ficaram de fora.
       Pois então, isso confirma que Cristo não está “alterando” a lei de Israel, e sim promovendo-a. Claro que os aspectos prefigurativos de Seu sacrifício expiatório foram abolidos, como as cerimônias todas de morte de cordeiros, touros e bodes, como Paulo explicou em Hebreus 7 a 10. Não, porém, o que não tinha tal caráter, como as regras dietéticas, as leis morais (inclusive o sábado, que Ele disse que foi “estabelecido por causa do homem”) e outras disposições legais, como a proibição das práticas que foram proibidas para Israel, o que abrange a feitiçaria (ver Apo. 21:8), intimamente associada à  consulta aos mortos (Deu. 18:11-14 e Lev. 19:31--“Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus”).
       Esta tentativa de SEPARAR feitiçaria de mediunidade não se acha no texto bíblico de modo algum. Faz tudo parte do mesmo pacote de proibições divinas. Aliás, por que Deus (não Moisés) proibia as pessoas de buscarem comunicação com os seus queridos mortos? Que haveria de errado numa mãe que morreu aparecer a um filho ou filha para dar-lhes bons conselhos, sobretudo ao estar numa “dimensão superior”? Ou uma filha morta trazer conforto à mãe falando-lhe de quão feliz se acha na “outra perspectiva”?
       Isso seria benéfico, para o espírito e o vivente que o contacta, mas é proibido mesmo assim. Por quê? A razão é que Deus queria preservar o Seu povo da influência satânica, pois esses espíritos são mentirosos. Não passam dos mesmos demônios que Cristo tantas vezes expulsou de pobres vitimados por domínio de seres sobrenaturais, aqueles que foram expulsos do céu, como lemos em Apocalipse 12.
       Alegar que a proibição prevê a possibilidade de haver mesmo espíritos de viventes é um engano. O que há é espíritos, sim, mas NÃO DE QUEM MORREU, e sim de seres que outrora fizeram parte das hostes celestiais, mas foram expulsos com o seu “pai”, Satanás, cuja existência os espíritas negam, mas com isso tornam também mentiroso, não só a Paulo, como ao próprio Cristo, que dizem honrar. Sim, porque esse Cristo foi quem disse: “Eu via Satanás, como um raio, cair do céu” – Lucas 10:18.
       Agora, como o “equivocado” Paulo disse, “sede meus imitadores como eu sou de Cristo”, então talvez aí esteja o nexo da questão. Se Cristo disse uma coisa com tanta convicção, que os espíritas negam, então O estão considerando um “mentiroso”, cujo exemplo é seguido por Paulo.  E nós sendo admoestados a seguir o exemplo desse “equivocado”, que imita um “mentiroso”. . .
       Puxa, é cada idéia! Se eu fosse católico proferiria um sonoro “cruz credo!”, e me aplicaria três sinais da cruz. . .


CONTINUAMOS OPORTUNAMENTE
« Última modificação: Outubro 20, 2006, 02:23:41 por Azenilto Brito » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #739 em: Outubro 20, 2006, 06:56:56 »

Professor,



Quero deixar claro que em nenhum momento sequer sugeri que a resposta dada pelo Paulo, ou quaisquer outros colegas, seria para me isentar ou substituir as minhas. Ao contrário de PSA e outros fanáticos, tenho todo o interesse em responder suas questões e prosseguir nosso debate. Só não tenho tempo para fazê-lo agora.

Vc não pode me proibir de trazer para cá qualquer outra resposta a seus arrazoados, se ambos estiverem ligados ao tópico. Aliás, eu até havia ponderado e achei melhor deixar o link, também por se tratar de uma resposta externa. Agora que começou a responder, não há mais como fugir. Se outras respostas surgirem, continuarei indicando, para os leitores acompanharem, já que o objetivo aqui (penso eu) é apresentar e discutir toda e qualquer idéia ligada ao tema. Se eu chamar outros colegas, com mais disponibilidade, e começarmos a fazer uma devassa nos seus desafios, não poderá nos impedir de respondê-los e publicá-los. Vc mesmo já disse isso, em relação a outro fórum, quando começaram a bloquear suas mensagens: só se apela para a força quando acabam os argumentos.

Quanto às minhas respostas, tive que atrasá-las por falta de tempo mesmo, agravada pela entrada de um certo escrevinhador (também, ao que parece, de "tempo integral" ou quase isso), e isto, a princípio, não estava previsto para esse debate. Não acho nada agradável ter que usar o pouco tempo livre para gastar com pessoas que têm quase o dia inteiro livre, especialmente quando o interesse delas (como podemos observar ao longo do debate) está centrado apenas em disputas para ver quem escreve mais ou quem repete mais ou quem tem mais paciência. Mas nada melhor do que um dia após o outro. Minhas respostas fatalmente chegarão, quantas forem necessárias. Só não será do jeito que querem. Terão que aceitá-las no ritmo que eu determinar. Não são vcs que definem minha agenda. No momento, estou indo devagar, mas dias melhores virão e jamais se livrarão de mim. Quanto maior a provocação, maior será a minha determinação. Disso podem estar certos.

Mas isso se aplica muito, mas muito mais a atravessadores, do que a vc mesmo.

Quanto às minhas respostas: Devo, não nego, respondo quando puder.


A propósito, vc já avisou o Paulo?



Maurício C.P.
« Última modificação: Outubro 20, 2006, 08:27:15 por Maurício CP » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #740 em: Outubro 21, 2006, 01:46:16 »


Caro Maurício

       Eu creio que deixei claro que é uma questão também de tempo. Ir atrás de outros que vêm com enormes textos e ter que responder ponto por ponto, quando o que lhe perguntei até foi respondido e REPLICADO, sem as devidas tréplicas é complicado, pois há muito repeteco no que o seu amigo diz, e isso e desgastante.
       Quanto a debates aqui, lembre-se sempre que nossa posição inarredável é a Bíblia e sua coerência de ensino sobre a natureza e destino humanos. Enquanto tivermos essa plataforma não nos intimidaremos nem um pouco com quem quer que seja, protestante, católico, espírita, desde que argumentando dentro do ensino bíblico, porque temos convicção de que a Bíblia

       a - não ensina imortalidade da alma

       b - não ensina comunicação possível e permissível entre mortos e vivos

       c - não ensina reencarnação

       d - não ensina evolução da sociedade humana graças a uma seqüência de reencarnações, e sim o contrário disso--que o mundo iria de mal a pior, o que nos atencipa o fim dos tempos, com a intervenção divina nos negócios humanos por ocasião da volta de Cristo.

       e - não ensina a salvação universal--que todos no final chegarão ao "nirvana" de perfeição, sejam atualmente bons ou maus, dependendo de diferentes níveis de aprimoramento ao longo dos tempos.

       Então, são estes os pontos básicos sobre que debateremos, daí que os que têm certas convicções e para os quais materiais extrabíblicos e experiências sensoriais têm mais peso do que o conteúdo das Sagradas Escrituras estarão em dificuldade para entender os nossos pontos de vista, e haverá uma clara assimetria de perspectivas e cosmovisões.
       Mas tudo bem, temos esses 10 pontos para debater, de início, mas penso em fazer algo diferente. Primeiro, vou transferir para cá o que já foi discutido, com minhas perguntas, suas respostas e minhas réplicas, depois farei um apanhado geral dos principais pontos que creio serem errados nos arrazoados de seu amigo espírita, e daí transcreverei o artigo-síntese do livro do Dr. Samuele Bacchiocchi, Imortalidade ou Ressurreição?, como feito com o livro Do Sábado Para o Domingo noutro local do fórum.
       Continuo lamentando que haja enveredado por esse caminho de uma doutrina perigosa e diabólica, um dos tremendos enganos desses últimos dias sobre que Jesus nos advertiu. Não sou nenhum fanático, não entendo a Bíblia como "infalível", no sentido que o seu amigo parece imaginar, conheço bem o espiritismo por ter tido parentes espíritas que buscaram me doutrinar, e sei dos maus frutos que percebi na vida deles e de seus descendentes, sendo este um fator mais que já não me inspira seguir por tal caminho antibíblico e anticristão.
       A premissa básica do espiritismo é mesmo uma idéia de NEGRA ORIGEM, como é a imortalidade da alma, típica de TODOS os povos pagãos do passado e do presente. Como já disse inúmeras vezes, nunca se ouviu de algum povo pagão deixar de crer em suas almas e espíritos (inclusive atribuindo isso a rios, lagos, vulcões, montanhas e animais) para entender que vem a hora em que "os que estão nos túmulos ressuscitarão; os que fizeram o bem, na ressurreição da vida; os que fizeram o mal, na ressurreição da condenação" (João 5:28, 29). Isso se dá exatamente por DESCONHECEREM a beleza da mensagem do evangelho centralizado em Cristo.
       Então, o que fazer? Apenas continuar orando para que Deus na Sua misericórdia lhe abra os olhos desse triste engano, sobretudo quanto vemos o fim aproximar-se a passos tão rápidos, e quem sabe quando tivermos o poder da chuva serôdia para impressionar o mundo como nunca na história com as verdades bíblicas, volte a unir-se às hostes dos que têm a verdade fundamentada em Cristo, Aquele que somente pode conceder vida eterna, pois só "quem tem o Filho, tem a vida" (1 João 5:12).

Abraços

« Última modificação: Outubro 22, 2006, 01:14:49 por Azenilto Brito » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #741 em: Outubro 21, 2006, 03:06:09 »


O Espiritismo e Minha Família--Um Balanço Realista

       Antes de reproduzir aqui o que já foi coberto, sobre a questão da visita de Saul à feiticeira de Endor, permitam-me contar algo de minha experiência com espíritas, a começar com os meus familiares.
       A família de minha mãe, composta de três irmãs--Emília, Isaura e Maria das Graças, e de um irmão, Miguel, lá pelos interiores da Paraíba, de onde são originários todos os meus familiares, inclusive, segundo dados genealógicos que há poucos anos descobri, tendo ligação hereditária com os sefarditas fugidos de Espanha e Portugal no século XVII (judeus)--aceitou a mensagem do evangelho por influência de um tio de minha mãe, o Tio Guimarães. Ele era fazendeiro e o que tinha a melhor situação financeira na família.
       Todos estavam felizes freqüentando a Igreja Congregacional, inclusive o meu avô e avó. O tempo passou, e minhas tias, com o auxílio financeiro de Tio Guimarães, foram estudar numa escola de Enfermagem em Goiás, uma instituição da Igreja Presbiteriana. Tudo ia bem, até que minha avó, Ana, resolveu que não queria saber nada do evangelho. "Eu nasci católica e morrerei católica", ela alegava. Na verdade, o que a motivava mesmo não eram tanto as glórias de Maria, e sim o seu apego a um cachimbo que fumava, e que no meio cristão evangélico não seria aceitável. Como o seu pai tinha sido um plantador de fumo e ela desde os 14 anos já fumava, era escrava do vício com tal força, que até o momento de sua morte, com quase cem anos, não abandonou o fiel companheiro--o seu cachimbo. O quartinho onde dormia, já paralizada de ambas as pernas, tinha um cheiro simplesmente horrível, para quem não gosta de fumo.
       Enfim, esse foi o primeiro baque. Os anos se passaram, e minha mãe casou-se com o meu pai, que conheceu na Igreja Congregacional, se não me engano na cidade de Patos, PB., e daí foi constituída a família na qual nasci, todos sempre freqüentando fielmente a Igreja Congregacional, agora na cidade de Campina Grande, a principal do Estado da Paraíba, maior que a capital, João Pessoa.
       Bem, minhas tias Emília e Isaura, estavam estudando enfermagem no referido colégio presbiteriano, mas Emília tinha um gênio meio forte, parecido com o da mãe, e por alguma razão que desconheço teve atritos com a direção da Escola (parece que sofreu certas injustiças) e terminou desanimando da fé evangélica. Isaura continuou firme, mas com o passar do tempo também não conseguiu realizar um sonho de casamento, pois o noivo a deixou, e ela terminou ficando sozinha. Aliás, ambas nunca se casaram--Emília e Isaura.
       Tia Gracinha (Maria das Graças), que chegou até a atuar como missionária entre crianças do interior, terminou também esfriando na fé, e arranjou um namorado dos EUA, com o qual se correspondia (naquele tempo não havia Internet) e, para encurtar a história, veio morar aqui. Só que o noivo era um equatoriano safado, namorador, e ela viu que a havia enganado. Daí divorciou-se, casou-se com outro marido, o Edward, de quem teve o filho Mark, meu primo, um jovem de grande potencial intelectual. Imaginem que ele se formou em Química, mas como depois não gostou da profissão, e para ajudar a mãe a dirigir um pequeno negócio, formou-se em Administração de Empresas. Mas antes de completar o curso o negócio já havia fechado. Daí resolveu fazer Medicina! É hoje um médico atuante na área de Medicina Familiar, no Estado do Texas, onde mora perto da casa da mãe.
       Bem, minha Tia Gracinha andou esporadicamente freqüentando diferentes Igrejas evangpelicas, mas conserva agora uma atitude indiferente quanto a coisas religiosas. De vez em quando trocamos e-mails ou falamos ao telefone. Tanto Emília quanto Isaura e Miguel já faleceram (bem como meus pais, Maria e Otávio).
       Pois bem, voltando um pouco atrás, Emília arranjou um namorado que a introduziu no espiritismo. Ela parecia muito entusiasmada em sua nova fé, e eu ainda me lembro dos debates que tinha com meu pai, veterano congregacional. Na época eu era pequeno e não entendia bem as questões em debate, mas quando me tornei mais jovem, foi a minha vez de enfrentar suas prédicas e idéias. Ela influenciou tio Miguel, que nunca fora muito firme na religião de minha mãe, e este terminou aceitando também sua idéias, bem como Isaura, a mais tranqüila da família. Só que Isaura era um tipo mais de ler e manter para si seus pensamentos. Ela não ia muito às reuniões como Emília, a mais "fiel" no espiritismo.
       Enfim, o primeiro namorado que a introduziu no espiritismo desapareceu no mundo, e ela arranjou outro que a introduziu ao alcoolismo. Foi triste, e me recordo que num feriado prolongado fomos até a chácara onde ela morava (herdado de meus avós), perto de Jacareí, SP. Lá estava eu com meus três filhos pequenos pensando e levar-lhe o nosso amor e solidariedade. Só que ela deu de beber e beber e beber, e falar coisas absurdas, e tocar discos de um coral espírita, apesar de meus apelos para que ela não fizesse aquilo. Enfim, vimos que a idéia foi péssima de ficar ali uns dias e na manhã seguinte interrompemos os planos de estadia, e voltamos para casa, passando um frustante restante de feriado na cidade grande.
       Meu tio Miguel adotou uma linha diferente, meio patriótica, de espiritismo (não sei se tem que ver com a LBV) e sempre repetia o chavão de que "o Brasil é a pátria do evangelho, o coração do mundo". Tinha certas previsões ufanistas sobre a pátria verde e amarela, sonhando com um país que daria ao mundo um exemplo de espiritualidade e paz, etc., etc.  Mas no fim da vida parece que já não estava mais tão convicto dessas idéias.
       Ah, sim, houve também o Saulo, que era um negro, adotado por minha avó. Ele também, depois de mil estrepolias que aprontou (e eu fui vítima de suas brincadeiras de mau gosto muitas vezes), foi para a Marinha, onde um primo se deu muito bem, mas era tão "danado" que terminou sendo expulso de lá. Enfim, ele também adotou o espiritismo como filosofia de vida, casou-se, teve filhos, e foi morar no Estado de Tocantins, onde atuava na prefeitura da capital. Só que divorciou-se da primeira esposa, parece que passou por mais uma duas ou três. Um dia minha tia Isaura recebeu a visita de um de seus filhos com um amigo, que queria ficar "oculto" por uns dias. Mas tia Isaura desconfiou, e após apertá-lo soube que estava fugindo da polícia, por tráfico de drogas!
       Os filhos de tio Miguel, que se casou com Diva, uma espírita de Goiás, boa alma, paciente como ela só, causaram todo tipo de problema. Um deles tornou-se entusiata nas causas políticas e quase foi preso durante a Revolução de 64 (ou melhor, Ditadura Militar). Não sei de seu paradeiro hoje, mas deve estar envolvido com candidaturas, seja de HH ou de Lula, pois era a sua linha. Um dia eu estava de visita a sua casa, em Brasília, e conversamos algo sobre a Bíblia. Quando lhe citei a passagem de João 3:16, que fala do amor de Deus que se expressou no Seu Filho unigênito, que veio salvar o homem, qual não foi o meu espanto com a reação dele ao que eu lia: "Eu discordo desse São João dizer isso. . ." E como falava mal dos americanos. . . Tal como o pai que parecia odiar tudo quanto se relacionasse com o outro "tio", o Sam. . .
       Mas por que estou narrando tudo isso? Eles eram dominantemente espíritas, ex-evangélicos. Minha família manteve-se na Igreja Evangélica, e daí eu posso fazer uma comparação. Que frutos a filosofia espírita produziu na vida desses meus tios e primos? Alcoolismo, problemas familiares, separações, filhos problemáticos. Minhas quatro irmãs, sempre criadas no seio da Igreja Evangélica, são todas casadas, tendo seus filhos dentro da melhor ética e mais elevados princípios. Nenhum se dedicou a drogas, e são quase todos crentes, ou simpatizantes. As experiências de vida deles não são totalmente "exemplares" (houve também separações conjugais e outros deslizes), mas no geral nem se compara com a confusão total que o lado espírita da família representou.
       Eu sei que não se pode generalizar, nem nego as boas intenções e obras deles na tentativa de melhorarem o mundo (e a si próprios), mas o ponto que quero destacar é que não me parece que foi uma escolha feliz da parte deles o seguirem por tal rumo. Perderam a fé na Bíblia como Palavra de Deus, daí aceitando "todo vento de doutrina" do sobrenatural e do extravagante.
       Portanto, o espiritismo não me ilude com sua bela e rósea visão de "salvação universal", uma idéia que nem traz incentivo a alguém para buscar crescer "na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo". Se eu não for lá grande coisa nesta vida, não há problema, há sempre a próxima onde posso me aprimorar. E no final, estaremos mesmo todos juntos no "nirvana" final, e até "nosso irmão Satanás" (como certo ramo espírita prega) irá se arrepender e estar lá também.
       Não, amigos, não recomendo essa filosofia antibíblica e anticristã para ninguém. Orem em favor daqueles que se meteram nessa armadilha satânica.
       Certa vez, quando eu era obreiro adventista, me apresentaram um advogado que estava começando a estudar a mensagem adventista. Ele era "médium" espírita mas por contatos com adventistas interessou-se em saber mais. Para encurtar a história, ele um dia me apresentou a seguinte questão: se eu era um obreiro adventista, isso se dava ao ambiente favorável em que fora criado, as circunstâncias várias que me favoreciam nesse aspecto. Mas o que dizer de um pobrezinho da favela, filho de uma prostituta com um viciado em drogas, que futuro ele poderia almejar? Daí, as diferenças de nível seriam provas de que há diferentes escalas de "evolução" moral, espiritual, o que se explicaria pelas reencarnações. Bem, eu lhe respondi, isso é muito relativo, pois eu, com toda a minha bagagem favorável e demais aspectos positivos, posso também abandonar tudo e tornar-me até um ateu, ou cometer um crime, enquanto o pobrezinho da favela pode vir conhecer o evangelho e tornar-se um pastor. E tudo isso ACONTECE neste mundo, pois cada qual tem o destino em suas próprias mãos. As escolhas de cada um são fruto de sua própria vontade, e não de algo "traçado" por forças sobrenaturais.
       Ele com isso entendeu bem a questão, e para encurtar novamente a história, o ex-médium espírita batizou-se na Igreja Adventista, e o encontrei depois de alguns anos numa Escola Sabatina da Igreja Adventista de Moema, capital paulista.
      Enfim, ficam estas reflexões para que entendam que há uma verdade bíblica de que não podemos abrir mão. Por mais dignos de respeito que sejam nossos amigos espíritas, por sinceros e bem-intencionados que seja, temos que considerá-los almas iludidas. São sinceros, porém sinceramente enganados. Merecem nossas orações e apoio em instruções bíblicas, quando se mostrarem abertos e suficientemente humildes para aprender

Abraços



« Última modificação: Outubro 21, 2006, 03:48:00 por Azenilto Brito » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #742 em: Outubro 21, 2006, 03:31:08 »


Réplica às respostas do Maurício CP a minhas 10 razões por que não foi Samuel quem apareceu a Saul no episódio da feiticeira de En-dor (http://foroadventista.com/index.php/topic,830.15.html):

1o. – Porque a noção de um diálogo entre o falecido profeta Samuel e o rei de Saul parte de uma falsa premissa: de que há uma alma imortal embutida no homem que prevalece à morte. Como não existe comprovação bíblica de que Deus criou o homem dualisticamente—com um corpo material e uma alma imortal (ver Gên. 2:7), tal noção é inteiramente contrária ao teor geral do que as Escrituras ensinam sobre a natureza do homem e sobre o estado do homem na morte.

Obs.: O que a Bíblia ensina sobre os mortos é que não têm consciência alguma do que se passa neste mundo, sendo constantemente comparada a um sono (Ecl. 9:5, 6; Sal. 146:1-4; Dan. 12:2; 1 Tess. 4:13-16). Assim, mesmo ante a hipótese de que o espírito de Samuel tivesse sobrevivido à morte, ele ignoraria inteiramente os acontecimentos terrenos, especialmente do que ocorreu após sua morte, e nem poderia dar conselho algum a Saul.


Se o texto não fosse claro, a premissa poderia ser falsa. Mas o texto é taxativo, logo, a premissa da imortalidade, da sobrevivência e da comunicação com os mortos torna-se verdadeira, sob o ponto de vista bíblico. O relato da criação visa descrever o homem, mas apenas sob o ponto de vista material. Segundo os judeus, “Detalhes da imortalidade não são mencionados na Torá, já que a Revelação trata apenas do mundo atual” (Revista Morasha)

Se Eclesiastes servir como prova contra a imortalidade, igualmente servirá para negarmos toda e qualquer possível recompensa aos mortos, pondo em cheque as crenças na vida futura. Quanto à premissa de I Samuel, o texto é claro para vermos que, na opinião dos narradores, o episódio foi real e continha os elementos da cosmovisão judaica, dentre os quais se inclui a imortalidade, bem como a possibilidade de comunicação com os mortos.

Se não há imortalidade da alma, então Jesus deve ter nos enganado por algumas vezes. Uma quando disse “meu reino não é desse mundo”, outra “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”, o que não seria o caso se estivessem aniquilados. Podemos ainda acrescentar “Pai em tuas mãos entrego meu espírito”, será que isso não prova que o espírito sobrevive?


       Eu já expliquei noutra oportunidade que Eclesiastes NÃO NEGA a recompensa após a morte, e sim trata da falta de vantagem na morte sobre a vida para todos, já que são todos pó, e ao pó voltarão.
       A discussão sobre natureza humana é bem ampla e temos sobre isso muito material, como é do seu conhecimento, só que dentro de uma visão HOLÍSTICA do homem e da própria Bíblia.
       Quem só aceita a Bíblia segmentadamente, segundo o seu conteúdo lhe pareça interessante, mas nega as partes que não convêm, inclusive quanto a doutrinas fundamentais da fé cristã (como a salvação somente em Cristo, e nunca pelas obras, o Seu retorno glorioso, a ressurreição de todos os mortos, práticas tais como o batismo e a Santa Ceia, tipicamente cristãs e ordenanças claras de Cristo a Seus seguidores) não tem por que ficar citando trechos bíblicos de uma forma que só denotam uma visão equivocada que não leva em conta o TEOR GLOBAL do ensino bíblico.
       O relato da criação do homem não é só “material” pois todo o contexto mostra muitos aspectos espirituais, como o ingresso do pecado, a companhia divina ao homem nos primeiros momentos, a presença de anjos, etc. Dizer que é tudo “material” com base na opinião de um judeu ou uma publicação judaica (que não é inspirada, e sim mera opinião, e sabe-se de muito judeu ateu e materialista também) é uma falácia. Tanto que a própria linguagem de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus destrói essa alegação. Se fosse só para ressaltar aspectos materiais e nada do espiritual, tal linguagem não caberia no relato.
       E o detalhe da natureza intrínseca do homem, como tendo sido criado dualisticamente, faria todo o sentido para o esclarecimento desejado por Moisés, que foi bastante detalhista no relato da criação, e se “esqueceu” de algo tão importante quanto seria falar da “alma imortal” que Deus teria embutido dentro do ser que criara.
       Mas o fato é que o TEOR GLOBAL do ensino bíblico já mostra como nem haveria necessidade de tal “alma imortal” porque Deus não criou o homem para morrer, e sim para viver eternamente como um ser físico, num paraíso físico. Para que ele precisaria de uma “alma” que sobrevivesse à morte?
       O texto de que “Deus é Deus de vivo, e não de mortos” na verdade é um “tiro” interpretativo que sai pela culatra de quem o cita, pois o contexto todo indica que Cristo Se refere à RESSURREIÇÃO DOS MORTOS, e não a qualquer noção de imortalidade da alma. Sobre isso, a narrativa do diálogo de Cristo com os fariseus assim conclui, no relato de Mateus:

       Ã¢â‚¬Å“E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos”. – Mat. 22:31, 21.

       Não há a mínima indicação de que haja intenção de falar em “alma imortal”, pois toda a discussão, do começo ao fim, trata tão-só de ressurreição, não de almas indo para o céu na morte.
       E temos um excelente estudo, curtinho e objetivo, intitulado “Jesus Não Ensinava a Imortalidade da Alma” que valeria a pena até  reproduzir no final deste, e o farei.


2o. – Porque Deus havia claramente cortado comunicação com Saul (vs. 6) e seria impensável Ele mudar de opinião e resolver que valeria a pena realizar tal comunicação, sobretudo por meio de uma representante do grupo que Ele ordenou que devia morrer por causa exatamente da atividade de buscar estabelecer esse tipo de comunicação proibida (Lev. 24:27).

O ponto de vista bíblico nem sempre segue os padrões que esperamos. Encontramos passagens onde Deus se arrepende (ou seja, muda de opinião) sobre certas coisas, e outras onde Ele até ordena a mentira e envia espíritos para enganar as pessoas (I Reis 22:19-23).

Se dentro da Bíblia encontramos tais passagens, por que não admitir que ele possa semelhantemente, mudar de opinião?

É neste ponto que novamente nos deparamos com certos pressupostos. Para os que defendem a Bíblia Infalível, isso precisa ser verdade, mesmo sendo algo “impensável”. Para os que não defendem, somos livres para aceitar ou rejeitar. Discutindo dentro da Bíblia, para os que crêem nela como Palavra de Deus, ficam eles ENGESSADOS dentro dela, para não entrarem em "xeque-mate". Se fôssemos relacionar o que em nossa opinião achamos “impensável”, poderíamos relacionar extensa lista de outros questionamentos.

Mas voltando ao caso, segundo o judaísmo essa atitude é compreensível. Não representa um grande problema entender isso. A solução é muito simples, o caráter proibitivo da Lei de Moisés está sempre ligado a algo POSSÍVEL de acontecer. O que significa que o que não faz sentido é algo do tipo “É PROIBIDO NADAR NA GRAMA”. Se Deus não queria responder e depois respondeu, as duas atitudes estão na Bíblia, questioná-lo equivale a colocar em dúvida a própria autoridade da Bíblia, abrindo precedentes para outros questionamentos, como eu disse.


       A Bíblia diz também que “Deus endureceu o coração do Faraó” num local, mas noutros já diz claramente que Faraó por sua iniciativa é que o fez (ver Êxo. 9:12 cf. 9:34). Isto parece paradoxal e contraditório, mas o SDA Bible Commentary explica o caso de 1 Reis 22 de modo a que se aplica também ao episódio de Faraó:

       Ã¢â‚¬Å“Com freqüência a Bíblia apresenta Deus como fazendo o que não impede. Todo esse quadro é uma parábola. Acabe havia preferido ser guiado por profetas falsos, e Deus tão-só permitiu que fosse guiado por esses profetas para a sua ruína”.


       Há episódios em que a Bíblia fala de Deus “mudar de opinião”, como no caso de Nínive, que estava condenada à destruição em três dias, contudo Ele poupou a cidade em vista do arrependimento geral de seus moradores (Jonas 1 e 2).
       O que temos aí é uma prova de que Deus é justiça, mas também amor. E quando as condições mudam favoravelmente, Ele também retira o castigo que indicou enviar, a pessoas e nações (ver Jer. 18:7-10).
       No caso de Saul, nada em absoluto justifica a mudança de atitude da parte do Senhor, porque Saul não mudou em nada o seu comportamento que justificasse uma mudança de atitude da parte divina.
       Portanto, não se justifica qualquer decisão de Deus em restabelecer comunicação interrompida com Saul, porque no caso nem mesmo foi uma “ameaça” ou “promessa”, simplesmente uma atitude definida.
       Ademais, a iniciativa da comunicação nem foi de Deus, e sim de Saul através de uma instrumentalidade ilegítima. De modo algum Deus iria submeter-se a um esquema de feitiçaria, rendendo-Se à vontade de um rei ímpio, já condenado por Ele.


3o. – Porque Saul encomendou à mulher, “Peço-te que me adivinhes pela necromancia, e me faças subir aquele que eu te disser” (1 Sam. 28:8'), após tentar fazer-se ouvir por Deus que não lhe atendia “nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (vs. 6).

Obs.: Esse nunca foi o método divino de atender petições de pessoas que O buscam (ver Jó 8:5, 6; Sal. 6:8, 9; 116:1, 2; Dan. 9:20, 21; Mar. 11:24; Col. 4:3).


A única coisa que isso mostra é que, biblicamente, necromancia e adivinhação estão muito ligadas, e embora proibidas, isso não impede uma verdadeira comunicação.


       Está tudo ligado na consideração divina, necromancia, adivinhação, consulta aos mortos. Mesmo por que o que praticava a consulta aos mortos visava com isso “adivinhar” também o futuro. A própria consulta tinha ligação com suas demais práticas condenadas.
       Essa tentativa de qualificar a última prática das práticas citadas como “aceitável” não tem respaldo bíblico algum. Praticantes das três “artes” diabólicas seriam igualmente sujeitos à condenação (Deut. 18:9-11). Aliás, que tal este mandamento que descobri “por acaso” ao pesquisar a Bíblia para este debate: “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos” (Lev. 19:28)?! Logo, até coisas indiretamente ligadas aos mortos eram condenadas, imagine-se uma  tentativa de COMUNICAÇÃO DIRETA com mortos quão mais não o seria.
       E Deus não iria valer-se de tal metodologia para atender à petição de um homem desesperado por causa de seus próprios erros, que não revelava sincero arrependimento, apenas remorso, peso de consciência e puro e simples temor das conseqüências de seus próprios atos.


4o. – Porque Samuel, como profeta de Deus, não iria tomar a iniciativa de atender ao chamado de uma feiticeira, contrariando a ordem divina de que os vivos não busquem comunicar-se com os mortos, nem se submeteria às regras de necromancia, que não iriam jamais interferir com quem estivesse na companhia de Deus. A Bíblia diz que quem buscasse consultar feiticeiros seriam contaminados por eles (Lev. 19:31; Apo. 22:15).

Obs.: Se Samuel atendesse à convocação da feiticeira estaria contribuindo para uma prática condenada por Deus, e pelo próprio contato com ela estaria contaminado, assim nem poderia mais voltar à companhia divina, pois no céu não entra nada que contamine (Apo. 21:27).

Quem consultou a pitonisa não foi Samuel. A proibição envolve necromancia e adivinhação, mas de cá para lá. Não há nada que proíba um morto de se comunicar com um vivo, se para isso achar ocasião. Cabe dizer, ainda, que em nenhum momento Samuel aprovou a atitude de Saul, mas pelo contrário, confirmou tudo que disse em vida. Confirmou a reprovação divina, apontando a causa e agravante. A pratica de necromancia não se aplica a Samuel.

Por outro lado, facilmente se esquece que o rei Saul tanto sabia que os mortos se comunicavam que procurou alguém, no caso uma mulher, para que pudesse falar com o espírito-Samuel.


       O que essa alegação deixa implícito é que uma feiticeira através da necromancia tem o poder de trazer para este mundo “na marra” seres que supostamente estariam no céu, na companhia de Deus, para submeter-se a seus caprichos. Nem Deus pode com essa gente, que coisa! Tem que permitir que um Seu profeta deixe Sua companhia para responder a uma forma de convocação por Ele proibida.
       Certamente essa feiticeira de Endor podia imitar certos personagens de desenhos animados modernos e proclamar, “Eu tenho a força!!!!”


5o. – Porque nunca é dito que Saul viu a Samuel, e a informação de tratar-se do profeta procedeu de uma feiticeira, alguém que vivia às escondidas, sob condenação de morrer por praticar algo condenado por Deus (ver 1 Sam. 28:13; Deu. 18:9-11).

A mulher não disse que era Samuel, apenas fez uma breve descrição. Além disso, não é preciso que Saul tenha visto Samuel, se o narrador o identifica em todas as oportunidades. Diante disso, como fica a opinião do narrador? Afinal, ele era ou não era inspirado por Deus? Riscamos essa passagem da Bíblia? Por falar em Bíblia, vejamos uma outra passagem:

Eclesiastico 46:20 - [Samuel] Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo.
Essa passagem está de acordo com I Samuel. I Samuel está de acordo com essa passagem. As duas estão de acordo. Nenhuma se contradiz. As duas dizem que é Samuel. Prove o contrário, ou cale-se para sempre! (heheheh)


[Conclui no próximo quadro]
« Última modificação: Outubro 21, 2006, 03:54:11 por Azenilto Brito » Denunciar ao Moderador   Registado

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« Responder #743 em: Outubro 21, 2006, 03:36:51 »


[Conclusão do quadro anterior]

       O que é isso, virou católico?! Eu não uso livros NÃO-INSPIRADOS, segundo o consenso do próprio povo de Israel, os portadores dos “oráculos divinos” (Rom. 3:2), como é o caso de Eclesiástico. Apenas alegar que um narrador da Bíblia diz algo de uma maneira, e isso ser o ponto final, desconsiderando o famoso TEOR GLOBAL, ou seja, a metodologia de interpretação holística da Bíblia, é uma péssima metodologia de buscar o entendimento da Palavra de Deus.
       Se formos nos ater a isso, então o sol parou mesmo, literalmente, no episódio de Josué, quando claramente o sentido é que assim pareceu ao narrador (Jos. 10:13). Se o sol tivesse parado literalmente isso causaria o caos sobre a Terra e de todo o sistema solar. Possivelmente só a luz do disco solar prosseguiu no espaço, como uma “ilusão de ótica”. Aliás, isso ocorre todos os dias e todas as noites ao nascer e pôr do sol—vê-se um disco solar de tamanho enorme, umas 10 ou mais vezes maior do que o mesmo disco solar ao meio-dia. Por quê? Os cientistas explicam que é por causa do ângulo visual de quem contempla a curva descendente ou ascendente do sol nos primeiros momentos da alvorada ou ocaso. Ou seja, ilusão de ótica. Algo semelhante poderia ter ocorrido no episódio de Josué, mas a linguagem bíblica não é científica, detalhada nesse aspecto, mesmo porque os leitores da época não entederiam absolutamente nada do que o autor estaria falando.
       Assim, agarrar-se a segmentos da Bíblia aparentemente favoráveis enquanto se despreza outros ou se ignora o TEOR GLOBAL, a interpretação holística das Escrituras não é o sistema correto de interpretá-la.


6o. – E o que a feiticeira diz ter visto foi um ser sobrenatural, ou seres sobrenaturais—“um deus-elohim”—, termo usado com referência a seres divinos mas também aplicável a falsos deuses (Gên. 35:2; Êxo. 12:12; 20:3).

Obs.: Quem apareceu não foi Samuel e sim um espírito satânico imitando o profeta. O apóstolo Paulo explica que Satanás pode transfigurar-se até em “anjo de luz” (11:14).


A presença da palavra elohim apenas indica que se tratava de um espírito. Não esqueçamos que anjos e demônios são espíritos. Uns ministradores, outros impuros. O que muda é a interpretação sobre o que seja anjos e demônios, mas que são espíritos, disso não há dúvida. “Elohim” pode ser usada para falsos deuses, também, e daí? Seu uso, por si só, nada depõe contra a identidade de Samuel. Pelo contrário, sempre que a Bíblia trata de demônios, ela é muito clara. Em nenhum momento, o narrador identifica a entidade como satanás ou demônio. Para o narrador foi Samuel, e pronto.

Seria interessante que alguém nos apontasse na Bíblia onde está escrito que os demônios aparecem no lugar dos mortos. A citação de Paulo, sobre Satanás se transformar em “anjo de luz”, parece entrar em choque com as palavras de Jesus: "Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas." (João 3:20) E daí ficamos num impasse. O discípulo diz uma coisa, o Mestre diz outra, a quem devemos creditar nossa confiança? A resposta a este impasse nos é dada pelo próprio "fundador" do Cristianismo, nestes termos:

Mateus 10:24 - Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.


       A Bíblia não diz realmente que os demônios aparecem no lugar dos mortos, mas fala de como Deus proibiu terminantemente que alguém fosse em busca de comunicação com mortos.  Por que essa lei tão rigorosa para algo que poderia ser até  benéfico? Afinal, que mal há em um filho ter contato com um pai ou mãe falecidos, de quem só receberia bons conselhos e advertências, diante de estar agora noutra perspectiva mais favorável para entender os caminhos ideais para dirigir os passos de alguém? Ou de um filho comunicar-se com a sofrida mãe para indicar-lhe que estava bem na outra vida, e que embora tivesse sido meio rebelde neste mundo, não estava torrando nos fogos do inferno, e sim passando por um estágio de “aprendizagem” para retornar melhor noutra vida (quando também perderá o contato com a mãe, pois daí em diante não mais se encontram, seguindo cada qual um caminho bem diferente. . .).
       A razão da proibição é que Deus queria preservar o Seu povo de práticas semelhantes entre povos pagãos de comunicação com os demônios enganadores que os induziriam à idolatria e à necromancia, pois estava tudo intimamente relacionado, como a própria lei divina indica, sem qualificar uma prática como “inocente” enquanto condenando as demais.


7o. – Porque estranhamente o ser que apareceu à feiticeira “sobe de dentro da terra”, quando a Bíblia nunca diz que os seres divinos vêm de tal parte, e sim do alto (ver Gên. 22:11 e 15; 2a. Reis 2:11; Isa. 6:1, 2; 32:15; Luc. 2:13; Mat. 3:16, 17; Apo. 14:6).

A expressão atende ao paradigma judaico de habitação dos mortos. Tanto bons quanto maus habitariam esse HADES. Para os que defendem a Bíblia Infalível, estão obrigados a aceitar o relato, tal como se encontra. Já os que não estão presos a esse conceito, são livres para aceitar ou não o que está no relato. Fora isso, o fato de subir ou não subir é muito relativo. Com os avanços da astronomia, alguém hoje poderia nos dizer onde estaria o alto e onde estaria o baixo? Hoje sabemos que o alto e o baixo se revezam a cada 24 horas.


       Esses conceitos judaicos são do período intertestamentário, quando os judeus sofreram forte influência da filosofia grega. Filo foi um filósofo judeu que tentou criar uma síntese entre o judaísmo e o cristianismo e daí é que perverteu os ensinos bíblicos clássicos que não tratam de nada de lugar de habitação consciente dos mortos. O “sheol/hades” é simplesmente a sepultura.
       E se é para agarrar-se à forma como o narrador descreve, como quer fazer com a declaração de que “Samuel disse”, eu posso teimar também neste ponto. Estamos empatados—se era mesmo Samuel, também ele veio “de dentro da Terra”, o que dá a entender que ele mora em alguma mina subterrânea, o que não faz o menor sentido do ponto de vista bíblico.
       Na verdade, eu posso alegar também que a concepção judaica é exatamente essa—de debaixo da Terra. Eis como o Dr. Samuele Bacchiocchi expõe isso em sua obra Imortalidade ou Ressurreição?:

       Ã¢â‚¬Å“Situando-se abaixo, na terra, os mortos alcançam o sheol por ‘descerem’, um eufemismo para ser sepultado na terra. Destarte, quando Jacó foi informado da morte de seu filho José, declarou: ‘Chorando, descerei a meu filho até à sepultura [sheol]’”. Também convém recordar o episódio do castigo dos rebeldes de Coré e Dotã que foram engolidos terra abaixo, e o original fala que desceram vivos ao sheol (Números 16:33).
      Em muitas ocasiões sheol é empregado em paralelo com o termo hebraico bor, abismo, como no Salmo 88:3, 4. Noutras ocasiões o paralelismo ocorre com o term